01-12-2002
Rolão Preto: "A equipa estabilizou"
Joaquim Rolão Preto confessa numa entrevista exclusiva ao Site Oficial do Sporting que o início da época foi "difícil", mas garante que a equipa "está estabilizada". E que "já teve todos os contratempos que devia ter tido". A luta pelo título "vai ser renhida", principalmente com "o FC Porto". O treinador adjunto analisa a equipa, o campeonato e fala dos jogadores, de Bölöni e dos dirigentes "leoninos".
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Que análise faz ao comportamento da equipa após as primeiras 12 jornadas?
RP - Já passámos por algumas tempestades e não há dúvidas que existe
uma ideia muito negativa quanto ao elevado número de golos que já sofremos,
embora saibamos as razões. São situações que são discutidas internamente. Não
temos sido tão concretizadores, porque o Mário Jardel ainda não está em forma.
A dupla Jardel e João Pinto, que na época passada teve uma ligação
extraordinária, está agora a começar a carburar. Ultimamente temos vindo a
estabilizar o nosso comportamento. Para sermos campeões já não podemos perder
este ritmo. Só agora voltámos a ter todo o grupo reunido e a partir de agora
temos condições para alcançarmos a bonança.
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próxima jornada o Sporting defronta o Benfica em Alvalade. Após uma
'chicotada' psicológica geralmente os jogadores galvanizam-se e o rendimento
aumenta. Este é um factor de preocupação para o encontro com o Benfica?
RP - A nossa principal preocupação com a chegada de um novo treinador
é não sabermos qual estilo de jogo que ele vai utilizar e isso vai fazer com
que fiquemos na expectativa. De qualquer forma, o fundamental para este
"derby" é que contemos apenas connosco. Temos que pensar nas nossas virtudes,
independentemente do adversário que vamos ter pela frente, e saber defender
sempre bem.
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Qual é o jogador mais perigoso do Benfica?
RP - Para mim é o Simão Saborosa.
"FC Porto é o principal
adversário"
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Qual o principal adversário do Sporting na luta pelo título de Campeão?
RP - Depois de estar quase concluído o primeiro terço da SuperLiga
aposto no FC Porto como sendo o nosso principal adversário. A equipa do Norte
ainda não perdeu nenhum jogo, mostra ser a mais equilibrada nas acções de
ataque e de defesa, tem um modelo de jogo estabilizado e tem bons jogadores. A
nossa equipa já teve os contratempos que devia ter tido, está a estabilizar e
acredito que vai ser uma luta renhida, para já, com o FC Porto. Mas certamente
vão aparecer outras equipas, como são os casos do Benfica, Vitória de
Guimarães e Varzim, que provavelmente vão fazer com que percamos alguns
pontos.
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início menos bom de alguns clubes 'grandes' pode estar ligado ao facto dos
chamados pequenos estarem mais fortes?
RP - Não se pode estabelecer uma regra tão simples. Isto pode estar
ligado a vários factores, tais como o excelente trabalho que tem sido feito em
alguns clubes. Temos que reparar que há uns anos as grandes equipas tinham
jogadores muito superiores aos chamados 'pequenos'. Hoje em dia já começa a
existir maior equilíbrio, que se deve à coragem dos treinadores e dos
jogadores de jogarem mais aberto e conseguirem tirar dividendos dessa
situação. Para essas equipas ganhar um jogo a um clube denominado grande já
não é uma coisa do outro mundo, isto porque as equipas estão mais bem
preparadas e a diferença entre os jogadores já não é tão notória.
"Danny
é aposta para o futuro"
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Danny não tem sido muito utilizado pela equipa técnica. Foi uma contratação
para o futuro?
RP - Sim. As declarações de Laszlo Bölöni confirmam isso, porque é
com muita pena que não o podemos pôr a jogar com mais frequência, assim como
acontece com outros jogadores. O Danny é uma aposta para o futuro.
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Desde a lesão de Beto que se tem falado na contratação de um defesa central. É
estritamente necessário que isso aconteça em Dezembro?
RP - Não. Muito provavelmente o Beto vai ser a nossa grande
contratação de Dezembro. Para além disso, temos outros defesas centrais que
também têm muito valor. Por exemplo, o Hugo sempre que foi chamado deu uma
resposta positiva e temos outras alternativas, que são os jogadores do
Sporting que neste momento estão emprestados a outros clubes.
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Laszlo Bölöni referiu que o plantel tem alguns desequilíbrios. Concorda com
essa opinião?
RP - Concordo, mas não vou comentar especificamente quais são os
desequilíbrios. Mas existem alguns desequilíbrios, como por exemplo o facto de
neste momento só termos um lateral direito, que é o César Prates. Em algumas
posições é visível que não temos muitas soluções, mas noutras é o contrário.
www.sporting.pt - No
espaço de um ano três jogadores contrariam roturas de ligamentos. A que é que
se deve esta situação?
RP - Estas situações acontecem quando o terreno de jogo está mais
pesado e como os jogadores fazem muitas rotações, basta uma má rotação do pé
para provocar uma rotura. Estas situações acontecem em todo o mundo e não é
uma situação que esteja ligada à preparação diária dos jogadores.
"Seremos os primeiros a assumir
os erros"
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Como é que a equipa técnica 'lidou' com o caso Jardel?
RP - Sempre com muita ponderação, porque houve algumas situações que
ficaram no ar, levantadas nomeadamente pelo treinador principal, no sentido de
ligar o caso Jardel a situações diferentes daquelas que estavam a ser
divulgadas pelos Órgãos de Comunicação Social. Houve uma série de situações
que não eram claras, mas que para nós ficaram esclarecidas. Da nossa parte
houve sempre uma grande ponderação e um grande respeito pelo Mário Jardel e
por tudo o que ele fez na época passada, mas também sem esquecer algumas
coisas menos boas que ele fez. Mas todos temos direito a errar. Defendemos de
forma intransigente os interesses e o património do Clube. O Mário Jardel foi
extremamente importante na conquista do título, todos temos um carinho
especial por ele, mas também temos que falar de outros jogadores como o Sá
Pinto, que tem estado a ultrapassar um mau momento com muita bravura e que
agora está prestes a entrar na equipa. Ao Ricardo Sá Pinto dirijo palavras de
grande apreço pelo profissionalismo demonstrado ao longo destes meses.
www.sporting.pt - O
início da época foi algo complicado com o castigo de João Pinto e as saídas de
Hugo Viana, André Cruz e Phil Babb. Agora estão de regresso jogadores como Sá
Pinto. Vai ser uma dor de cabeça voltar a pôr a jogar os atletas que estão a
regressar das lesões?
RP - Prefiro esta dor de cabeça. É bom termos todos os jogadores
disponíveis, embora haja alguns que vão ser preteridos em relação a outros.
Mas a SuperLiga é longa, vamos ter muitos jogos e temos que optar por aqueles
que, para nós, estão em melhores condições. Normalmente há sempre oportunidade
para todos e vamos corrigindo algumas opções que poderão não ser as mais
acertadas. Seremos os primeiros a assumir os nossos erros.
www.sporting.pt - No
início da época o Niculae foi muito utilizado, apesar de ter acabado de
recuperar de uma lesão grave. Depois perdeu a titularidade e agora está de
volta às boas exibições. Como é que analisa a evolução do jogador?
RP - O Niculae tem estado a evoluir positivamente e isso é importante
não só para ele, como para a equipa. O Niculae é um caso curioso, porque foi
titular num jogo, depois no encontro seguinte não foi convocado, tal como o
Kutuzov. Os jogadores têm que aceitar estas situações e não podem pensar que
as nossas decisões se prendem com aspectos pessoais. O treinador principal é
bastante humano e tem a frontalidade suficiente para dizer que gostaria que
todos jogassem, mas a verdade é que não é possível.
"Equipa
B não é despromoção"
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dos objectivos da equipa B é dar aos jovens um espírito vencedor e prepará-los
para jogarem na equipa principal. Estando o Sporting B em último lugar esta
situação não é contraditória?
RP - Para eles os maus resultados marcam sempre. Por outro lado
sentem mais as derrotas, porque são muito jovens e têm como adversários
jogadores com 30 anos e que já passaram pela SuperLiga. Estamos preocupados,
mas ao mesmo tempo estamos atentos e vamos assistir aos jogos. O ideal seria
com toda a certeza ocuparmos o lugar da época passada [segundo lugar], mas
isso não é o mais importante.
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Não é um risco demasiado grande os jogadores poderem contrair lesões, dado ser
uma prova mais dura?
RP - Por um lado corremos esse risco, mas tem de ser assumido, porque
para o jogador poder dar uma boa resposta na equipa principal tem que estar na
melhor forma possível. Os jogadores já perceberam que o facto de alinharem
pela equipa B não é uma derrota nem uma despromoção, e estão a aproveitar essa
oportunidade.
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possível vermos o Sá Pinto a actuar pela equipa B?
RP - É difícil, porque a equipa B é para os jovens, mas pode
acontecer. Se estivesse no lugar de um jogador mais velho preferia fazer um
jogo pelo Sporting B, do que 10 treinos na equipa principal.
"Início
difícil"
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Que balanço faz da sua carreira no Sporting?
RP - Faço um balanço positivo, porque em primeiro lugar terminámos a
época transacta com um sucesso quase absoluto. Mesmo tendo em consideração que
fomos eliminados na Taça UEFA, conseguimos passar duas rondas. Em relação às
restantes competições fomos cem por cento vitoriosos. No que diz respeito aos
projectos do Sporting que estão ligados à ideia de criar, a partir do momento
em que temos a Academia Sporting, uma escola de futebol, é um desafio que está
agora no início e que nos vai dar muito trabalho. O balanço da minha carreira
no Sporting é extremamente positivo, porque tudo o que estava programado
fazermos até agora foi cumprido, mas sempre com o pensamento no futuro.
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Quais foram os melhores e os piores momentos até agora?
RP - Os percalços do início da temporada - 'caso' Jardel e suspensão
de João Pinto - podem ser eleitos como os piores momentos. Foi um início
difícil, porque estávamos a viver momentos de grande indefinição. Outro
momento particularmente complicado está relacionado com as lesões graves do
Niculae e do Sá Pinto. Os momentos positivos foram as conquistas dos títulos e
a construção da Academia Sporting.
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Que diferenças existem entre Sporting de hoje e o de quando entrou para
técnico?
RP - Em relação à equipa principal existem diferenças. Os jogadores e
os responsáveis têm melhorado muito o nível e a estabilidade do grupo. Existe
um espírito solidário, que é cada vez mais evidente e isso está relacionado
com o conhecimento existente entre todos. O grupo de trabalho que existia
antes de chegarmos já era bastante bom e isso foi um bom princípio, mas a
administração da Sporting, SAD também é nova no futebol. Há um grupo de
pessoas que chegou ao Clube e que, apesar de não serem especialistas em
futebol, estão a conseguir ter sucesso e estão a criar estruturas muito
sólidas. Esta estrutura humana que conheço cada vez melhor, no contexto
espacial que é Alcochete, está a permitir uma evolução ainda mais positiva. Na
Academia podemos definir melhor os nossos objectivos, não só na área técnica,
mas também na área pedagógica, porque não podemos deixar de olhar para todos
os miúdos que estão na Academia Sporting. Estes jovens jogadores também se
estão a adaptar a um novo espaço e a uma nova realidade e cabe-nos assistir
aos treinos, conversarmos com eles, para que exista também um maior
conhecimento entre nós.
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Como é o seu relacionamento com Laszlo Bölöni?
RP - É um relacionamento muito profissional, porque o Laszlo Bölöni
não privilegia muito a criação de laços fora do futebol. O treinador português
dá muita importância ao convívio fora do treino e o Bölöni não tem essa
maneira de ser. Esta postura permite estar mais focalizado no trabalho diário
e guardar o tempo livre para a família. A nossa relação profissional é muito
saudável e temos muitas ideias comuns sobre futebol. Para mim esta é a base
de qualquer relacionamento.
"Sporting
é o grande pioneiro"
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sua opinião a construção da Academia Sporting foi um passo decisivo para o
futuro do Clube?
RP - Sem dúvida alguma. Para se criar uma escola de futebol, dentro
dos parâmetros que conheço, tem de existir um espaço como o da Academia, que é
moderno e funcional. Neste momento, que é ainda de adaptação, temos o grande
desafio de melhorar as condições da Academia. Actualmente, já existe uma
animadora desportiva, que realiza actividades de lazer aos fins-de-semana,
para que o isolamento dos jovens jogadores seja quebrado. Durante a semana as
coisas já funcionam de maneira diferente. Não é desejável que exista muito
divertimento, porque é assim que funciona o dia a dia dos atletas. Este também
é um exemplo da mudança de mentalidades que se está a verificar no futebol
português e, principalmente, no Sporting.
www.sporting.pt - O
Sporting foi pioneiro na construção de condições para a formação de novos
talentos. Considera que o Clube é responsável pela transformação que se está a
dar no futebol português, no que diz respeito à formação de novos jogadores?
RP - Tenho debatido esse tema com muitos treinadores e dirigentes nos
últimos tempos. É a primeira vez, em Portugal, que se está a construir aquilo
que considero ser uma verdadeira escola de futebol. É importante ressalvar que
os grandes clubes trabalharam ao longo destes anos na formação de atletas e
que tiveram como objectivo lançar novos jogadores nas respectivas equipas
principais. Mas, vendo o futebol como vejo, como um todo, a formação está
intimamente ligada ao futebol profissional, onde o departamento de
recrutamento também tem uma posição extremamente importante. O Sporting está a
ser o grande pioneiro, mas temos a grande responsabilidade de pôr tudo isto em
prática e não é um trabalho fácil.
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Que balanço faz dos primeiros meses de trabalho na Academia Sporting?
RP - É claramente positivo, embora tenham existido alguns problemas
de adaptação, o que é perfeitamente natural nestes casos.
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Qual é a sua opinião sobre o novo Estádio?
RP - Tive a oportunidade de visitar o novo Estádio e foi-me explicado
tudo o que se relaciona com a construção. Foi uma agradável surpresa ter
acesso a todas as zonas do Estádio e acho que o Sporting está a ficar com uma
saúde de ferro.
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Qual a razão para optarem por realizar alguns treinos na Mata do Lumiar, ou no
Estádio José Alvalade, quando em Alcochete têm melhores condições?
RP - Não podemos deixar de fazer alguns treinos de adaptação em
Alvalade, porque é o local onde os jogadores actuam. Em relação ao treino que
realizamos na Mata do Lumiar serve para quebrar um pouco a rotina.
"Evitar
que muitos talentos se percam"
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Como é que está a ser feita a ligação entre o futebol profissional e o futebol
juvenil?
RP - No futebol juvenil os treinadores têm que se preocupar com a
formação do próprio jogador e não tanto com os aspectos tácticos da equipa,
porque o mais importante não são os resultados. No futebol profissional
trabalhamos com os jogadores formados e que estão numa fase de especialização,
na qual o que interessa é a equipa e os resultados. Na prática isto não
funciona linearmente assim, porque a formação também é direccionada para os
treinadores, para que no intercâmbio que existe entre o futebol profissional e
o de formação os técnicos troquem informações e aprendam uns com os outros. É
preciso que nunca se esqueçam que a formação de um jogador jovem é sempre mais
importante do que a construção da equipa. Vamos tentar evitar que muitos
talentos se percam. O Sporting tem sido um dos clubes que mais aproveitamento
tem na área da formação, mas também houve jogadores com muito talento que se
perderam.
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que é que sente por ser um dos responsáveis pelo aparecimento de jovens como
Hugo Viana, Quaresma e Ronaldo?
RP - Os principais responsáveis foram o Aurélio Pereira, as pessoas
que trabalham com ele no departamento de recrutamento e os treinadores que os
formaram. Estes são os grandes responsáveis. Mas, quando vejo um treinador
como Laszlo Bölöni, que na época passada apostou claramente na juventude e que
quis um grupo de trabalho reduzido para dar oportunidade aos jovens, fico
muito contente e sinto que a minha responsabilidade é diminuta em relação às
pessoas que, para mim, são as grandes responsáveis.
www.sporting.pt - O
que é que sente quando surgem notícias sobre o interesse de grandes clubes
europeus na contratação desses mesmos jogadores?
RP - Quando se fala no interesse de grandes clubes europeus na
contratação de Ronaldo e Quaresma, por um lado há a ideia da necessidade de
eles saírem, porque é essa a filosofia do Clube, mas é também gratificante,
porque fomos nós que efectuámos o último empurrão. Por outro lado fica a mágoa
de ver sair jogadores tão jovens, quando ainda poderiam dar muito ao Clube.

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Quais os jogadores dos escalões mais jovens que este ano poderão aparecer na
equipa principal?
RP - Naturalmente que temos falado sobre isso e temos um diagnóstico
feito em relação aos jogadores que têm potencial para entrar na equipa
principal. Mas, não vou divulgar nomes. Agora as pessoas não se podem habituar
a que todos os anos apareça uma média de dois ou três jogadores, porque isso
não vai acontecer.
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Quando os jovens jogadores começam a ter sucesso na equipa principal quais são
os cuidados a ter com eles?
RP - A nossa principal preocupação prende-se com a natureza técnica
do futebol, porque no tempo que temos com eles no treino temos que focar
aspectos como a disciplina e o rigor com que têm que desempenhar as tarefas
dentro de campo. Mas, tentamos orientá-los em tudo o que se relaciona com a
adaptação ao dia a dia e sempre que estamos em estágio tentamos saber como
está a correr a vida pessoal. Acabamos sempre por dar conselhos, porque estão
a passar por um momento capital da vida.
"Ronaldo é um jogador mais completo"
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que é que se diz a um jovem jogador como o Cristiano Ronaldo, antes de se
estrear pela equipa principal do Sporting?
RP - Quando o Ronaldo entrou em campo pela primeira vez fiz um
discurso muito natural, porque tínhamos de entender todo o nervosismo que ele
estava a sentir. Não lhe podíamos dar muitas informações, porque senão
estávamos a demonstrar um nervosismo superior ao dele. Pedi-lhe que jogasse
com confiança e que não se esquecesse de cumprir aquilo que lhe tínhamos
pedido.
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Foi um acto de coragem pôr o Cristiano Ronaldo a jogar contra o Inter de
Milão? Quem fica mais nervoso, o treinador ou o jogador?
RP - Acho que é sempre um acto de coragem por parte do treinador. O
técnico acaba por ficar na expectativa para ver o que é que o jogador vai
produzir, mas o treinador, que conhece todas as imperfeições que são fruto da
própria idade, já está à espera de uma série de situações erradas que o
jogador vai produzir. No jogo com o Inter foi o que aconteceu. O Ronaldo, a
par de muitas coisas boas, errou muitos passes e esteve muito nervoso. Mas
algum dia isso teria de acontecer e quanto mais cedo o Ronaldo começasse, mais
rapidamente estabilizava. Neste momento, o Ronaldo é um jogador muito mais
completo.
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Quais são as características que um jogador deve possuir para singrar na
equipa principal do Sporting?
RP - Tem que dominar todos os programas motores inerentes ao futebol,
todos os gestos técnicos têm que estar muito bem trabalhados, e essa tem de
ser uma preocupação até aos 17 anos. É igualmente importante o jogador ser
forte psicologicamente, para poder lidar com toda a pressão que é inerente à
carreira de futebolista. Esta parte da formação do jogador é decisiva.
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Não temem que uma exibição menos boa o possa prejudicar psicologicamente?
RP - Não. Todas as indicações que damos após o jogo estão ligadas aos
momentos em que esteve menos bem, mas não devemos estar muito preocupados,
porque isso é normal. Por isso é que temos que conhecer bem o jogador, para
sabermos como vai reagir e para lhe podermos dar a dose de confiança
necessária.
"Clubes
não podem contratar por quantias tão altas"
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Quando chegou ao Sporting disse numa entrevista ao Site que um dos sonhos por
realizar era ser campeão pelo Sporting, conquistar a Taça de Portugal e a Taça
UEFA. Os dois primeiros já estão, para quando a conquista da Taça UEFA?
RP - (risos). Este ano já não pode ser, mas creio que daqui a uns
anos será possível. O Sporting vai entrar na Liga dos Campeões, portanto vamos
ter que deixar a Taça UEFA para outra altura. Este ano quem ficar em primeiro
lugar na SuperLiga tem entrada directa na Liga dos Campeões e isso dá-nos uma
grande motivação para não deixarmos escapar essa oportunidade.
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Como antigo jogador, como é que tem acompanhado a situação complicada pela
qual a Académica está a passar?
RP - A Académica é um clube muito especial para mim, porque também
joguei lá e deixei na equipa dos estudantes muitos amigos. Já na altura em que
lá estive vivi momentos muito complicados, porque a manutenção era sempre o
nosso objectivo e não era fácil de alcançar. Por vezes um projecto que vise a
manutenção é tão difícil de concretizar como o de ser campeão. Tenho muitas
esperanças que a Académica possa permanecer na SuperLiga, mas fico triste pela
situação financeira que está a atravessar.
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Pode dizer-se que o que se está a passar na Académica é o espelho do futebol
português?
RP - Quem dirige os clubes não pode ir além das capacidades
financeiras que possui, mas na prática isso não acontece e é aí que surgem os
problemas. Basta olharmos para os jornais e vermos o número elevado de
jogadores que têm os ordenados em atraso e isso não deveria acontecer. No meu
tempo também passei por situações dessas, mas hoje em dia tem de haver ainda
maior rigor. Os clubes não podem contratar jogadores por quantias tão
elevadas. Isso acaba por prejudicar o grupo de trabalho, porque deixam de ter
possibilidade de pagar a todos os atletas.
"Dirigentes
do Sporting têm uma nova mentalidade"
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António Dias da Cunha escreveu um editorial no jornal 'Sporting', no qual
chamava a atenção para alguns adeptos pelas críticas feitas ao plantel e no
qual dizia que mais depressa abandonaria ele a direcção do Clube, do que
Laszlo Bölöni o cargo de treinador. Como é que este tipo de situações são
vistas pelos técnicos?
RP - É extremamente importante sentir o apoio da direcção da
Sporting, SAD e do presidente do Conselho Directivo do Sporting Clube de
Portugal. Ao fazerem estas afirmações mostram a estabilidade do Clube. Este
tipo de reacções são muito importantes para o grupo de trabalho e faz com que
os contestatários percebam que não foi o melhor momento para se manifestarem e
que não é essa a resposta que se pretende.
www.sporting.pt - É
neste tipo de situações que os dirigentes do Sporting estão um passo à frente
do dirigismo do futebol português?
RP - Não tenho dúvidas que os dirigentes do Sporting estão um passo à
frente do dirigismo português. Trabalhei noutros clubes, não só como
treinador, mas também como jogador, e conheço bem a mentalidade da maioria dos
dirigentes portugueses. Os dirigentes do Sporting têm uma nova mentalidade, na
qual as pessoas são avaliadas pelo trabalho que realizam no dia a dia.
Acredito que os verdadeiros obreiros deste Sporting são as pessoas que estão à
frente do Clube e da SAD e não nós, por isso somos nós mais facilmente
substituídos do que as pessoas que estão à frente do destino do Sporting.
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Sente que o seu cargo está sempre dependente dos resultados?
RP - Não. No Sporting sinto-me mais confortável em termos imediatos.
Mas todos os dias tenho que provar que posso apresentar novas ideias e novas
conquistas em termos técnicos, sem nunca pensar que o meu lugar está cem por
cento garantido. Não gosto de estar comodamente instalado, porque não tem a
ver com a minha maneira de ser.
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Que mensagem deixa aos sócios do Sporting?
RP - Em primeiro lugar gostaria de pedir que continuassem a aparecer
em maior número, porque é importante para todos, sobretudo nesta fase de
grande projecção do Clube. Sabemos que o Sporting está no bom caminho, mas que
ainda está aquém da estabilidade desejada. Os sócios são a alma do Clube e o
apoio deles é fundamental.